.
Mostrando postagens com marcador Nervos de barbante torcido. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nervos de barbante torcido. Mostrar todas as postagens

25.12.12

Travessia

Escorrendo memórias filamentosas de longas raízes-umbigo desde o chão daqui até esplanada além, vazando pra fora do plano.

Água viva inundando tudo. Hoje de mar e cascata, estrelas e pedras-corais. 

Do passado, lágrimas derramadas voltaram até antes de brotar e transmutaram em outra substância, caudalosa, quente e murmurante, adubando o que virá.

O chão sob o pé direito bambeia e corre pro centro em diagonal vertiginosa, o esquerdo gira em espiral sem fim. É agora: vomito ou voo. No lugar em que eu era aguardada, os dados escapam de suas mãos e rolam na sarjeta. Não chego, mas a sorte está do meu lado.

Na hora que acaba é quando explodem os fogos.


14.12.12

Bebedores anônimos de maracujina

- Sossegue que ainda não é a hora.

- Sim sim, tô sabendo. Mas é que faz parte da preparação da personagem.

- ...

23.8.12

Por las mañanas no me despierto


Tenho ressaca de viver, mas é só durante o dia. Começa a anoitecer e acorda alguma coisa dentro de mim que liga os pontos e sou. Acontece que sempre chega uma hora em o corpo pede pra dormir e eu concordo, e desconfio que é aí que perco as peças no labirinto da cachola. Depois, nem bem o sol explode na janela começa o imenso esforço pra colar as ideias de ontem no agora de hoje. 

Às vezes tento lembrar se sempre foi assim, ou pior ou melhor, mas sei que também é só outra maneira fácil de me perder e adiar. E já me sinto tão desviada do rumo, bem daquele mesmo que não sei qual, tão cansada de tatear no escuro que né. Eterna exausta, como é que se passa de fase?

Vai ver escondi a resposta tão bem que nem eu encontro mais, mil fechaduras. E quando penso que terminei de abrir todas, olho com mais atenção e descubro que era só mais outra casca-camada, como aquelas bonecas russas colocadas dentro umas das outras. Do jeito que a coisa vai, parece que o recheio não é mais do que grão de poeira cósmica. Ou, ainda, será o avesso do grão? Mesmo assim, sem ser visto a olho nu, é preciso estar aberto pra estar pleno, coração. E, com olhos ardidos, continuo debruçada no descortinar sem fim, a única possibilidade.

Mas o reforço às vezes aparece de onde menos se espera, das compartilhações no caminho. (A sua guerreira alivia o fardo da minha.) As histórias-lembranças-planos, o pranto e o riso, todos somos um. Por isso rasgo um pedaço da insolação da madrugada e grudo aqui, nessa tarde escaldante em que meus recentes olhos de coruja piscam pra poder ver e quase quase enxergam além da escuridão.

Tenho sono. E sonhos.  

Mas, por enquanto, basta respirar.